sexta-feira, 13 de novembro de 2009
Entre a Mentira e a Megalomania
©2008 Jorge Lemos
Entre a Mentira e a Megalomania
Interrompo a série que vinha abordando, "Retorno à Casa Paterna", para mergulhar na análise do nosso momento.
Observo a tragédia ocorrida na baixada fluminense, onde as águas levam aquela população ao desespero com a perda de todos os seus bens. Falta de infra-estrutura, a causa principal da ocorrência das tragédias.
Desde há muito, observamos o completo descaso das autoridades federais, estaduais e municipais para com o povo de vasta região de pobreza.
A baixada fluminense foi sendo ocupada sem nenhum planejamento - sem água encanada, sem esgoto, sem serviços essenciais como transporte e saúde - uma coisa de louco. A população mais carente foi se abrigando da forma que seus recursos permitiam. Teve que conviver com o tráfico e com a violência, pela omissão dos governantes que, governo após governo, esqueceram de dar o mínimo de respeito àqueles cidadãos.
A tragédia vivida pelos moradores era esperada. Maior densidade pluviométrica levaria o caos àquela região. A natureza responde sempre que agredida - quem sofre mais é quem menos tem.
Paralelamente, novos governantes sucedem os velhos em todos os planos administrativos. Incompetentes e vaidosos, se vestem do populismo barato e mentiroso para mostrar prestígio. Fazem descer em nossas goelas para digerirmos todas as promessas e a propaganda enganosa das campanhas. Hoje, querem tapar o Sol com a peneira. Lágrimas de crocodilo nos olhos, cabeças unidas, Presidente, Governador e Prefeito se unem para comemorar a posse das Olimpíadas.
Quanta falta de vergonha, quanta hipocrisia!
A miséria e a violência do Rio de Janeiro dominando o cenário e eles vão esbanjar o dinheiro publico em festas, como a Copa do Mundo de Futebol, onde milhões e milhões de dólares serão jogados no lixo para atender a estes megalomaníacos. Quanta fragilidade moral! A política e a corrupção se misturam para darem continuidade à impunidade e ao desrespeito geral.
As campanhas políticas destes governantes falavam de transparência e honestidade. O eleitor, mais uma vez burlado e roubado, pois nenhuma das promessas será cumprida.
Sinto a fragilidade do povo, especialmente os mais necessitados que são enganados pelas campanhas como “Fome Zero” e “Salário Família”.
Os “apagões” nas mentes destes homens nos levam a refletir: infeliz é o povo que é enganado pela sua inocência e boa fé.
Não sabemos aonde vamos parar. Mas, só sei que eles prepararam, com suas bocas enganosas, se perpetuarem no poder de qualquer modo, em que seja com o dinheiro, que poderia salvar a população das grandes tragédias.
Também ouvi o “Canto da Sereia”, arrastado pela “onda de esperança”, que alimentava o povo brasileiro. Entrei outra vez em depressão. Sinto-me impotente ao ver que sou a única voz em toda a região a me manifestar e a me expor enquanto nossa população se cala e mergulha também na “maré de dejetos humanos” que nos envolve a todos.
Espero que o ano de 2012 seja o do ajuste final:
Vai faltar caldeirão no inferno!
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segunda-feira, 2 de novembro de 2009
Acenos
©2008 Jorge Lemos
Acenos
Lembranças
Acenos da memória
Branco lenço
Penso
Dias de muitas despedidas
Não há saudade
Só
Partidas e chegadas
Sem lamentos
Sem dor
Só caminhos
Vazio
Sem lágrimas
Vaga a mente
Ao tocar um branco lenço
Vivemos
Resistimos
Tempo
Distância
Encontros e fugas
Tempo presente
Vive-se sempre
O amor que vive
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terça-feira, 22 de setembro de 2009
Devaneio
©2008 Jorge Lemos

Devaneio
Uma rubra rosa se abre
Exala em meu jardim
odor tão diferente
Outras rosas
De matizes vários
Contemplam a forma e beleza
Da primeira rosa rubra
Que em meu jardim
Se forma
Ternas mãos da amada plantaram
Aquela espécie
Rara pelo rubor acentuado
Ela quase negra
Magnífica
Sangue real da própria natureza
Contemplo a perfeição e o capricho
Com que o tempo nos brinda a todos
É tempo de rosas
É primavera
Tempo de amor, deveras
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domingo, 13 de setembro de 2009
Justiça e Injustiça
©2008 Jorge Lemos
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Ensaio:
Dos Conflitos (E Certezas) Das Leis e Da Alma
Vamos falar de esperança e vida.
Talvez o sentimento mais puro desenvolvido pelo ser humano tenha sido o de justiça.
Voltaire o coloca de forma simples, atribuindo a Deus tal sentimento, em razão d’Ele nos ter concedido um cérebro e uma cabeça pensante.
A colocação simplista do pensador francês nos leva a refletir sobre o conceito da criação e a destinação do indivíduo ao meio. Considero um pouco mais complexa esta condução da finalidade humana aos planos da razão; é que Justiça e Injustiça estão postadas dentro da lógica imposta por um tempo de pressões ambientais. Observam-se as variações históricas que rezam que momentos justos e/ou injustos têm pendido seus pratos de forma distinta no curso dos tempos.
A evolução do pensamento humano estabelece que a razão prepondere quando a liberdade e a segurança estão em jogo. Isto cria o conceito da esperança de que o procedimento ético supera o mal e sobrevive.
Momento difícil o que atravessamos. Mas, felizmente, o mal é como o rato na ratoeira que, com fome, destrói as suas próprias entranhas. Esta observação nos dá alento. É preferível, se a dúvida pairar, que o indivíduo aplique a lei do Zoroastro - a que contém a máxima que soluciona a dúvida:
“Quando tens dúvida de que uma ação que te é proposta seja justa ou injusta, abstentém-te e espere: o justo sempre decide e supera o mal. Tudo uma questão de tempo”.
Proposta conformista? Não! Tomado de todas as reflexões e ouvidas todas correntes de pensamento busca-se pela razão o instrumento de se criarem as Leis e a Força para garantir que as mesmas estejam sendo cumpridas, e que a punição dos faltosos seja fato exemplar. Observa-se que os conflitos, especialmente os que tratam da moral ferida, exigem toda a racionalidade do pensamento humano para a superação das dificuldades na ação de combate ao mal.
Esta apresentação do meu pensamento dá-me a consciência de que todo o princípio para reger a humanidade deve estar calcado e fundamentado na Lei divina que é a Moral.
Dizem alguns profanos que a moral é relativa e que a mesma se fundamenta nos aspectos culturais desenvolvidos, os quais são hoje, transitoriamente, considerados os “Senhores do Poder”. Sei que hoje o modismo da liberalidade é fugir dos princípios da ética e da moral.
O mergulhar nas licenciosidades e as tentativas para alteração dos costumes (para pior), ocorreram repetidas vezes na história. Criou-se, através do Poder prostituído, o conceito de que “quanto pior melhor” - prática exercida pelos amantes do caos.
Há um abismo entre os da prática e os daqueles que se opõem. Esta diferença, ou abismo, é representada pela omissão. Nossa ação de combate pode, e deve ser, mesmo que simplesmente, aplicá-lo através do que defendia Jung, o inconsciente coletivo, ou pela “mentálica”, soberbamente descrita por Isaac Asimov, que afirmava:
”Mesmo que você não mova uma palha através da ação física, a força do seu pensamento é a mais forte energia para combater o mal” (Fundação II).
Porém, afirmo que a omissão pode ser considerada a pior das correntes dos tempos modernos. Vêm-se perdas de valores pessoais e desvios na formação da base futura. Omissão é o alheamento e a permissividade da destruição da base da sociedade humana. Este abismo cria o vácuo e contraria todos os princípios da finalidade da criação feita através da individualidade da alma, donde derivam todas as Leis que regem a história.
Esta minha abordagem nos conduzirá, obrigatoriamente, ao papel que representamos hoje como espécie que se destina à busca e ao aprofundamento dos estudos que ejetam todas as diferenças das individualidades.
Críticas ocorrerão, mas prevalecerão, com muita certeza, os chamamentos para a realidade da vida atual, que necessita ser defendida e preservada. Se o comportamento humano de grupos nos preocupa, cabe-nos buscar conceitos que inspirem ação para não destruir a esperança que deve estar inserida nos indivíduos privilegiados - que são os da nossa espécie...
Se juntos soprarmos, ao mesmo tempo, um furacão atingirá Brasília e assim estaremos a salvo das imoralidades que observamos “ maiora premunt “ (coisas maiores urgem).
Jorge Lemos
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segunda-feira, 31 de agosto de 2009
A Linguagem da Alma
©2008 Jorge Lemos

A Linguagem da Alma
Amar é viver plural
em tempo singular
Distribuir em versos
O sentimento do viver
na partilha do sagrado
Por que temer o coração
De quem vibra os olhos
E dos que sonham
Com a esperança
Amar é potência
Invencível
Que desafia
O medo
É virtude que se soma
A natureza pura
É sonho de luz
Em campo da espera
Amar é tudo
Responde o coração
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domingo, 23 de agosto de 2009
Retorno - Versos Híbridos
©2008 Jorge Lemos

Retorno
Aparentemente sim
Mas em todos os meus momentos
A ventura de senti-los e tocá-los povoou-me a alma
As lidas e as coisas da vida nos atordoam
Em momentos nobres
Sei que causei tristeza em amigos raros
Não há perdão
Vida é como vento que sopra
Muda de direção
Vacilante minha voz se fez
Em momentos sérios
Dou graças ao meu momento
Que vive a luz da esperança
Por ter transporto em frágil jangada
Tempestade num oceano inteiro
Vivi as nuvens das tristezas
Não há como fingir
O semblante mostra
Não há paz em minha alma
A lira por momentos me abandonara
A inspiração fugidia
Não se fez presente
Poetar é a arte mais difícil
Porque as palavras são muitas
Mas s inspiração rareia
Projetou-se por momento
Vida solitária
Pressão dos cristais das químicas medicamentosas
Imperaram
Momentos de melancolia foram vividos
Suplantaram
Porem
Desejos ardentes
Hoje estou contente
Estou voltando
Tentativa anacreontica
De encontrar-me
Em minha aldeia pródiga
Vejo-me
Tempestuosos dias
Se passaram
Mas Deus sonha em meu sonho e diz
Durma o sono
Ao acordares verás um mundo mais real
Eu
Abstrato
Escrevo
AMO
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quinta-feira, 28 de maio de 2009
Prece
©2008 Jorge Lemos

Prece
Sei que
Merecido não me faço
Do Teu amor perfeito.
Há,
Pra merecer,
Ter uma fé tão ampla
Rica de humildade
E consciência pura.
Falo contigo Senhor,
Pois também pecastes,
Ao mostrar fraqueza
Como eu,
Neste momento a dizer
Que “o espírito é forte
mas a carne é fraca”.
Meu clamor:
É Te pedir então
Como esmola:
Cuidai das fraquezas de minha alma,
Dá-me a firmeza da consciência sã
Afaste o solo árido
Onde foi plantada a semente do desejo
Ao sentir nas noites frias da solidão
Aquele amor impuro
E a tentação maligna
Da mulher
Que me traz a amargura da saudade.
(Imagem: 'Pray Plant' by Mindy Newman)
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